sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A Socialização


Como temos estudado, só poderemos compreender verdadeiramente o ser humano e o seu comportamento, tendo em conta a dimensão social (e cultural) da sua existência. Assim, temos que destacar este facto: a nossa condição de seres humanos depende de outros importantes factores, para além da herança genética e biológica.

Lucien Malson, no seu livro "As Crianças Selvagens", diz-nos o seguinte:

"Será preciso admitir que os homens não são homens fora do ambiente social, visto que aquilo que consideramos ser próprio deles, como o riso ou o sorriso, jamais ilumina o rosto das crianças isoladas."

Depois de termos visto que as nossas emoções têm um papel extremamente importante nas decisões que tomamos, estando assim ultrapassada a ideia de que razão e emoção existem separadamente; considerando, portanto, que o nosso comportamento reflecte decisões tomadas com base nas emoções que sentimos, importa também ter em atenção que as nossas próprias emoções não são independentes do contexto social em que vivemos e onde nos desenvolvemos. Quer dizer, a sociedade (e todo o nosso processo de socialização) condiciona as nossas emoções.
Este é mais um importante aspecto a considerar relativamente ao ser humano: ele possui o que podemos designar como "um cérebro social".

É esse interessante e inegável facto que nos é apresentado nesta pequena entrevista:




O Neurónio


Para o estudo do cérebro, é importante compreender diversos aspectos já estudados por nós e que o caracterizam. Por exemplo, o seu papel central no contexto do sistema nervoso. Por outro lado, sabemos que este é constituído por células que podem ser principalmente de dois tipos: neurónios e células gliais.
Os neurónios são células nervosas e responsáveis por grande parte das funções do sistema nervoso.
Os neurónios apresentam uma característica muito particular: não mantêm contactos físicos entre si. Como se processa, então, a transmissão da informação entre eles? Como já estudámos também, a sinapse e os neurotransmissores intervêm nesse processo de comunicação.
É possível rever e aprofundar o sub-tema relativo à actividade da rede neuronal, assistindo a este pequeno video que aqui fica disponível.

Como funcionam, afinal, os neurónios?




quarta-feira, 21 de novembro de 2007

TESTE FORMATIVO DO TEMA: "EU COM OS OUTROS"


Teste Formativo do Tema 2 – Eu com os Outros – Nov. 07


Grupo I

1) A vinculação é:
a. A satisfação das necessidades fisiológicas que asseguram a sobrevivência;
b. A necessidade de criar e manter relações de proximidade e afectividade;
c. O laço afectivo e psicológico desenvolvido entre os bebés;
d. A influência que o bebé exerce sobre as emoções dos progenitores.

2) Analisa as seguintes afirmações sobre o conceito de vinculação. Selecciona, depois, a alternativa correcta:
1. Desde muito cedo o bebé discrimina e hierarquiza diversas figuras de vinculação;
2. O choro sinaliza uma relação de vinculação frágil, enquanto o sorriso dá conta de vínculos consolidados;
3. Agarrar e gatinhar são comportamentos activos de vinculação;
a. 1 e 3 são falsas; 2 é verdadeira.
b. 2 e 3 são falsas; 1 é verdadeira.
c. 2 é falsa; 1 e 3 são verdadeiras.
d. 3 é falsa; 1 e 2 são verdadeiras.

3) Na base da formação das primeiras impressões está o modo como percepcionamos o outro através de:
a. Indícios físicos; indícios verbais e não verbais; indícios comportamentais;
b. Indícios físicos; comportamentais; indícios sociais; verbais e intelectuais;
c. Indícios físicos; indícios emocionais; indícios socioeconómicos; indícios verbais;
d. Indícios interpessoais; indícios comportamentais e sociais; indícios não verbais.

4) Pode definir-se uma atitude como:
a. Um comportamento mais ou menos estável para responder aos desafios sociais de modo positivo ou negativo;
b. Uma predisposição mais ou menos estável para se comportar de determinada maneira, face a um objecto social;
c. O processamento de toda a informação social relativa ao mundo social em que estamos inseridos;
d. Conjunto de comportamentos construídos ao longo da vida e que se mantêm estáveis face aos objectos sociais.

5) Analisa as afirmações que se seguem sobre representações sociais. Selecciona, depois, a alternativa correcta.
1. Conjunto de explicações, crenças e ideias partilhadas e aceites colectivamente numa determinada sociedade;
2. Conjunto de explicações, crenças e ideias indispensáveis nas relações humanas e na comunicação e compreensão social;
3. Conjunto de processos produzidos pelas instituições sociais para receber, identificar e transformar as informações e crenças;
4. Reagrupamento de ideias, de imagens, de diferenças étnicas e políticas e de concepções comportamentais.
a. 1. e 3 são verdadeiras; 2. e 4. são falsas;
b. 1. e 4 são verdadeiras; 2. e 3. são falsas;
c. 1. e 2. são verdadeiras; 3. e 4. são falsas;
d. 1. e 2. são falsas; 3. e 4. são verdadeiras.

6) A influência social manifesta-se em três grandes processos:
a. Objectivação, obediência e conformismo;
b. Normalização, conformismo e obediência;
c. Aculturação, inconformismo e obediência;
d. Normalização, conformismo e ancoragem.

7) As normas sociais permitem:
a. Induzir a variação dos comportamentos;
b. Manifestar o inconformismo dos outros;
c. Apresentar valores alternativos;
d. Prever o comportamento dos outros.

8) A obediência é um processo de influência grupal que ocorre quando o sujeito:
a. É muito pressionado pelo grupo que quer atingir um objectivo específico;
b. Acata as ordens de uma figura de autoridade, não se sentindo responsável;
c. Aceita as ordens do líder para manter a coesão do grupo;
d. Acata as ordens de uma figura de autoridade assumindo a liderança.

9) A atracção interpessoal revela-se:
a. Na preferência por pessoas que têm o mesmo interesse por nós;
b. Na preferência por determinadas pessoas com quem gostamos de estar;
c. Na avaliação cognitiva que fazemos de determinadas pessoas;
d. No comportamento sociocultural de determinadas pessoas nos grupos.


10) Os estereótipos resultam de generalizações sobre as características dos outros. Esta afirmação é:
a. Verdadeira: os estereótipos resultam de generalizações acerca do comportamento dos grupos sociais.
b. Falsa: os estereótipos organizam a identidade individual e não o comportamento dos outros.
c. Verdadeira: os estereótipos atribuem aos membros de um grupo as mesmas características comportamentais.
d. Falsa: os estereótipos resultam de diferenciações sobre as características dos outros.

11) Os preconceitos são atitudes:
a. Infundadas que provocam diferenciações sociais.
b. Justificadas pelas diferenças socioeconómicas.
c. Apoiadas por processos cognitivos fundamentados.
d. Provadas por conhecimentos científicos.

12) A discriminação é o comportamento que decorre
a. da crença.
b. do preconceito.
c. do conformismo.
d. da obediência.

13) O conformismo pode ser descrito como:
a. A mudança comportamental para satisfazer ordens;
b. Uma mudança comportamental para obedecer a outrem, satisfazendo as expectativas sociais;
c. Uma mudança comportamental mais frequente nos grupos coesos, que se traduz numa aceitação pública de normas, de atitudes e de opiniões do grupo a que se pertence, satisfazendo as expectativas deste;
d. Uma mudança comportamental necessária e de acordo com o sistema de estatutos e papéis da sociedade.



Grupo II



1. A mãe, ou quem a substitui, desempenha um papel crucial nos primeiros tempos de vida do bebé. Justifique a afirmação.
2. Refira qual a importância de que se revestem os primeiros encontros entre as pessoas.
3. Diversos investigadores contribuíram para o desenvolvimento da teoria da vinculação. Apresente as conclusões pioneiras de René Spitz.
4. Justifique quais são os factores decisivos para a conformidade.
5. Porque é que as relações interpessoais se revestem de aspectos atractivos e intimistas ou agressivos e de afastamento?



Grupo III



“Os comportamentos e atitudes intergrupais por parte dos membros de cada grupo exprimem, no fundo, os interesses objectivos, do seu próprio grupo naquela situação. Sempre que esses interesses forem divergentes, mas os grupos precisarem de estar em relação um com o outro para os atingir, ou quando os interesses forem convergentes, mas os recursos limitados, não permitindo senão que um grupo os atinja, podemos esperar que se desenhe um conflito traduzido em comportamentos e atitudes competitivas que podem atingir formas elevadas de hostilidade e até de agressão”
Vala, J., citado in Ser Humano, Porto Editora, 2006, p. 195

· Comenta o texto, mobilizando os conhecimentos que adquiriste ao longo do tema Eu e os Outros.


Bom trabalho!

INTELIGÊNCIA ANIMAL

INTELIGÊNCIA ANIMAL
Trabalho criativo de Dália Fernandes. No âmbito da disciplina de Psicologia B-12 R da Escola Secundária de Miraflores – Nov. 2007

Um dos maiores absurdos ensinados às crianças é o conceito de animal “irracional”, que reduz os animais a criaturas sem memória, sem cultura, sem capacidade de aprender. Simples bestas sem mente cujo único propósito é servir e alimentar à raça humana. Todos os anos, biólogos do mundo inteiro divulgam pesquisas que contestam a tese, e sugerem que os animais são dotados de capacidades ainda que rudimentares, de adquirir e também de transmitir conhecimento. Nem é preciso ir muito longe, qualquer um que tem um cachorro ou um gato sabe da capacidade dos animais de interpretar estímulos verbais, físicos e até mesmo "meta-físicos", como por exemplo saber com minutos de antecedência que o dono está chegando em casa. Esses comportamentos vão muito além do simples condicionamento, e são no mínimo um diferente tipo de inteligência.

Os macacos-prego são conhecidos pela sua capacidade de aprender a usar ferramentas - como pedras - para abrir cocos. Testes da capacidade intelectual dos chimpanzés mostram que eles são capazes não só de aprender palavras mas também organizá-las em frases de até quatro palavras. Polvos são capazes de memorizar caminhos em labirintos, abrir potes, quebrar garrafas de vidro para obter seu conteúdo, entre outros. A sua percepção sensorial é tão avançada que em diversos países como os EUA, é proibido realizar experiências com os moluscos sem a aplicação de anestesia.

Focas ensinam os filhotes a abrir mexilhões utilizando pedras.
Golfinhos emitem sons específicos quando encontram com seus “conhecidos”, o que sugere que eles têm a capacidade de dar e atender por nomes. Abelhas e formigas transmitem com precisão a localização de comida aos outros membros de sua colónia. Protegem com voracidade os seus pares e sabem distinguir aqueles que pertencem a outras comunidades. Porcos e vacas choram ao ir para o matadouro ou quando ouvem um de seus companheiros ser sacrificado. Os cépticos argumentam que esses comportamentos são puramente instintivos e que aquilo que os biólogos começam a chamar de inteligência e cultura animais não passam de equívocos irrelevantes insistindo numa posição inferior dos animais no planeta.
É comum associar-se o nível de inteligência de um animal ao tamanho do seu encéfalo. Partindo deste pressuposto, comparando o peso médio do encéfalo de um golfinho (1,7 kg) com o de um ser humano (1,5 kg), que ilações podem ser retiradas?
A questão do tamanho do encéfalo tem levantado alguma controvérsia. O encéfalo dos golfinhos é assombroso, pesando tanto ou mais do que o encéfalo humano, ao qual se assemelha pelos seus sulcos e circunvoluções abundantes. Contudo, muitos cientistas defendem que esta questão não deve ser tratada de uma forma linear, já que se olharmos para a proporção entre massa encefálica e massa corporal, outros números aparecem: 1,17% para os golfinhos e 2,10% para os seres humanos. Isto quererá dizer que estes cetáceos não serão tão inteligentes como os seres humanos, pois as suas grandes dimensões corporais traduzem-se na necessidade de uma massa encefálica maior.
Segundo dados actuais, a massa colossal do encéfalo dos golfinhos estará ligada a mecanismos adaptativos extremamente complexos, sobretudo relativos ao aparelho de identificação e eco-localização. Com efeito, emitindo impulsos ultrasónicos que embatem em objectos (peixes, outros golfinhos ou qualquer obstáculo) e captando os sons devolvidos, o golfinho é capaz de interpretar estes ecos como se de imagens se tratassem, determinando o tipo de objectos e a que distância se encontram.
Relativamente ao cerebelo (área do encéfalo responsável pela coordenação e equilíbrio), ele encontra-se mais desenvolvido nos golfinhos do que no Homem. Todavia, este facto não é de estranhar se observarmos o espantoso controlo dos movimentos corporais destes mamíferos marinhos durante as suas complexas manobras de salto e de "natação sincronizada".
Uma das áreas que mais investigação tem suscitado é a da comunicação neste grupo de cetáceos, pois a capacidade de utilização de uma linguagem é uma das principais componentes da inteligência. No entanto, ainda está longe o momento, se é que algum dia ele chegará, de decifrar o complexo esquema de assobios, cliks e gemidos que os golfinhos utilizam para comunicarem entre si. Mas na verdade, a maior parte das espécies animais são capazes de comunicar, de uma ou outra forma, utilizando linguagens mais ou menos complexas.
Embora não existam ainda muitas certezas, os intensos trabalhos de investigação desenvolvidos ao longo dos últimos anos confirmam aquilo de que há muito se suspeitava: os golfinhos são realmente animais extremamente inteligentes, ocupando uma das posições mais elevadas na escala animal de inteligência.

Fontes
http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=2032&iLingua=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Teste sumativo de Psicologia B (12ºano)

Este teste foi realizado em 06/11/07 (Módulo 1)

O teste é aqui disponibilizado para efeitos de revisão dos conteúdos por parte dos alunos da minha turma de Psicologia B do 12º ano. Pode, no entanto, ser igualmente muito útil para todos os alunos em regime não presencial, considerando a época de exames a realizar em Janeiro próximo.

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Escola Secundária Fernando Lopes Graça
Teste Sumativo de Psicologia B
Ano lectivo 2007/2008

Ano: 12ºano
Turma: 1ª
Prof.ª: Ana Paula
Data: 06/11/07

Grupo I

Texto 1 - "Em Fevereiro de 2001 foi apresentado o primeiro rascunho do genoma humano, que entretanto foi substítuído por versões cada vez mais completas. Em Abril de 2003 terminou a primeira etapa do Projecto do Genoma Humano. Mais de 99% dos 2,9 biliões de pares de bases que constituem o genoma humano foram sequenciados."
Texto retirado do manual de Psicologia B, 12º ano, Porto Editora


1 - Indique os componentes e a estrutura do ADN.
-------------------------- 20 pontos

2 - Considerando o que estudou acerca de cromossomas e genes, explique sucintamente o processo da meiose.
-------------------------- 20 pontos

3 - Defina genótipo e fenótipo.
-------------------------- 20 pontos

4 - Mostre que a teoria da epigénese contraria a perspectiva do preformismo.
-------------------------- 20 pontos

5 - Defina neurónio.
-------------------------- 20 pontos

6 - Explique sucintamente o que é uma sinapse, elucidando o papel nela desempenhado pelos neurotransmissores.
-------------------------- 20 pontos



Grupo II

Texto 2 - " O encéfalo humano apresenta-se-nos como um gigantesco conjunto de dezenas de milhares de milhões de "teias de aranha" neuronais enredadas umas nas outras e nas quais "crepitam" e se propagam miríades de impulsos eléctricos substituídos aqui e acolá por uma rica paleta de estímulos químicos."
Changeux, J.-P., O Homem Neuronal


1 - A noção de inacabamento do ser humano e o conceito de neotenia são contributos de Stephen Jay Gould para a compreensão do desenvolvimento humano.
Em que sentido a sua perspectiva se opõe à de Haeckel com a sua Lei da Recapitulação?
--------------------------- 40 pontos

2 - Explique como se conjuga a actividade dos três tipos de neurónios que estudou, assim como as suas respectivas funções.
--------------------------- 40 pontos

Total ----------------------- 200 pontos


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

RESILIÊNCIA

RESILIÊNCIA E SUCESSO:
Interacção entre factores ambientais,
comportamentais e pessoais

Trabalho criativo de Natalina Santos
No âmbito da disciplina de Psicologia B-12 R da Escola Secundária de Miraflores – Nov. 2007


A palavra resiliência vem do latim resilio, que significa voltar ao estado normal. O conceito de resiliência para as ciências humanas é:

“A capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente ás adversidades”.

Este conceito vem da Física e explica a propriedade que alguns materiais têm de acumular energia quando submetidos a impacto ou a stress e voltar ao seu estado original sem deformação. O termo é aplicado ao comportamento humano permitindo mudanças nas atitudes e na qualidade de vida das pessoas perante o caos do dia-a-dia de prazos, pagamentos, pressões, muita tensão e stress acumulado.
Há mais de quarenta anos, a ciência tem-se interrogado sobre o facto de que certas pessoas têm a capacidade de superar as piores situações, enquanto outras ficam presas nas malhas da infelicidade e da angústia que se abateram sobre elas como uma camisa de forças. Por que certos indivíduos são capazes de se levantar após um grande trauma e outros permanecem no chamado fundo do poço, incapazes de, mesmo sabendo não ter mais forças para cavar, subir tomando como apoio as paredes desse poço e continuar seu caminho?
As experiências e estudos feitos têm mostrado algumas explicações científicas sobre esse facto. A biologia defende o ponto de vista de que cada ser humano é dotado de um potencial genético que o faz ser mais resistente que outros. A psicologia, por sua vez, dá realce e importância das relações familiares, sobretudo na infância, que construirá nesse individuo a capacidade de suportar certas crises e de superá-las. A sociologia faz referência à influência da cultura, das tradições como construtores dessa capacidade do individuo de suportar as adversidades. A teologia traz um argumento diferente pela própria subjectividade transcendente, uma outra visão da condição humana e da necessidade do sofrimento como factor de evolução espiritual: o célebre “dar a outra face”.
Mas foi o quotidiano das pessoas que passam por traumas, que atravessam o vale das sombras, o que realmente atraiu a curiosidade de cientistas de todo o mundo. Não são personagens de ficção que se erguem após a grande queda; são homens, mulheres, crianças, velhos, o individuo comum do mundo que retoma a sua vida após a morte de um filho, a perda de uma parte de seu corpo, a perda do emprego, doenças graves, físicas ou psíquicas, em si ou em alguém da família, razões suficientes para levar um individuo ao caos. Esses que são capazes de continuar uma vida de qualidade, sem auto-punições, sem resignação destruidora, que renascem dos escombros, esses são os seres resilientes.
Segundo Mater e Garmezy consideraram os seguintes factores como importantes no desenvolvimento da resiliência: orientação sosial positiva, auto-estima elevada, coesão familiar, preseça continua de adultos significantes e rede social de apoio bem defenida e actuante. Podemos identificar as seguintes caracteristicas nas crianças resilientes: sociabilidade, inteligência, competências de comunicaçâo, laços afectivos familiares fortes e sistemas sociais de suporte actuantes na familia, no bairro, na escola e na igreja.
Não se é resiliente sozinho, embora a resiliência seja íntima e pessoal. Um dos fatcores de maior importância é o apoio e o acolhimento, feito em geral por um outro individuo, é essencial para o salto qualitativo que se dá. A resiliência ganha hoje o seu espaço na pesquisa em ciências humanas, médicas, sociais, administrativas etc. A resiliência é, na verdade, o resultado de intervenções de apoio, de optimismo, de dedicação e amor. Uma pessoa resiliente não se abate facilmente, não culpa os outros pelos seus fracassos e usa sua energia para lutar. O fatalismo e o sentimento de vítima do destino passam longe destas pessoas. Pensamentos como tudo é difícil, não consigo mudar de rumo ou ninguém faz nada por mim, não fazem parte de suas vidas. Ao contrário, vão à luta para reverter situações indesejáveis a seu favor.
Carolyn Larkin, uma das mais famosas pesquisadoras da área de recursos humanos, classifica a resiliência como o terceiro atributo mais importante de um líder corporativo, atrás de “visão” e “energia”. “Mais do que qualquer outra habilidade da inteligência emocional, é a resiliência que vai determinar a felicidade e a longevidade de um relacionamento, de uma carreira e de uma vida”.
A norte-americana Diane Coutu, autora da pesquisa “Resiliência: para que serve?”, publicada na Harvard Business Review, tem uma definição ainda mais concisa. Para ela, a resiliência está ligada à capacidade de assimilar as situações com os pés no chão - sem optimismo exacerbado ou discursos derrotistas. “Muitos utilizam a negação como mecanismo de defesa. Enfrentar a realidade, ainda que isso seja doloroso, é tarefa para poucos”, escreve ela. Nas organizações, a falta de habilidade para lidar com os imprevistos de forma realista pode se tornar um problema de dimensões perigosas.
Todos nós podemos ser resilientes. A Resiliência não é um traço de carácter hereditário que possuímos ou deixamos de possuir. Trata-se de uma conquista pessoal. Não é à toa que a superação e o crescimento humano são potencializados em momentos de dificuldade. O ser humano precisa de enfrentar desafios para testar seus próprios limites.
Exemplo de resiliência: Ayrton Senna, pouca gente sabe que, no começo da carreira, o piloto tinha dificuldade em andar em pistas molhadas. Ele poderia simplesmente acomodar-se com a situação, mas não. Com um treino específico e muita persistência, ele superou a crise e transformou o problema no seu maior trunfo. A chuva tornou-se sinónimo de vitória para o piloto.
“Na hora do desespero, é imprescindível manter a cabeça no lugar, mesmo com o mundo desabando sobre nós.”

Bibliografia:
www.eses.pt
www.sbpcnet.org.br
www.bolsademulher.com
www.vadiando.comhttp://amanha.terra.com.br



Relatório da aula de Psicologia de 2007-11-15
Elaborado por Francisco de Azevedo, 12 R - Escola Sec. Miraflores

A turma iniciou os exercícios escritos do projecto de aula número catorze (14) correspondente ao objectivo número cinco (5) do tema três (3)designando-se por “Eu com os Outros” e tendo como sub-tema “As Relações Precoces e Interpessoais” (consubstanciada com a resposta às perguntas abaixo enunciadas):

1- Como é que influenciamos os outros?
Uma vez que vivemos em sociedade, estamos inseridos em diferentes grupos sociais, a influência que os elementos que o compõem exercem uns sobre os outros, designa-se por integração grupal pois é a base da influência mutua que os membros de um grupo exercem entre si, os comportamentos, pensamentos e sentimentos podem ser afectados pelos grupos.
A influência social é um processo pelo qual as pessoas modificam e afectam pensamentos, emoções e comportamentos de outras pessoas, podendo ser, ou não, intenciconal e deliberado.
Esta influência manifesta-se em três processos:
· Normalização que é a elaboração de normas dos elementos de um grupo, quando não existem de forma explícita. As normas são fundamentais no que respeita à socialização, reflectem o que é socialmente desejável numa certa cultura orientando o comportamento. As normas apresentam-nos modelos que são partilhados pelos grupos sociais, o que nos permite prever o comportamento dos outros. Traduzem, igualmente, o conjunto de valores e atitudes constituindo assim um factor de coesão grupal.
· Conformismo que se designa por uma forma de influência social que resulta do facto de uma pessoa mudar o seu comportamento ou atitudes por efeito da pressão do grupo. O respeito pelas normas é uma manifestação de conformismo, sendo condição de sobrevivência dos proprios grupos.
Há factores que podem favorecer um comportamento conformisma: a unanimidade do grupo, a natureza da resposta, a dualidade da situação, a importância do grupo e a auto-estima.
· Obediência que se entende por ser uma manifestação da influência grupal que ocorre quando as pessoas não se sentem responsáveis pelas acçôes que cometem sob ordens de uma figura de autoridade.
Tal como no Conformismo, também na Obediência há factores que podem favorecer este comportamento, sendo elas: a proximidade com a figura de autoridade, a sua legitimidade, a proximidade da vítima e a pressão do grupo.

2- Porque é que nos conformamos a determinadas situações?
Porque nas nossas experiências pessoais, já vivemos situações, por vezes desagradáveis, em que concluímos que não emitimos a nossa opinião pessoal sobre um assunto ou esclarecimento, este processo designa-se por Conformismo.
O Conformismo é uma forma de influência social que resulta do facto de uma pessoa mudar o seu comportamento ou atitude em função do grupo em que se insere.

3- Em que circuntâncias a presença dos outros ajuda ou impede determinado comportamento?
Quando a motivação de um grupo para chegar a um consenso é tão forte que os elementos que o constituem perdem a capacidade crítica, impedindo de tomar iniciativa.
A pressão subtil para o Conformismo desencoraja os pontos de vista da minoria a serem apresentados perante a presença de outros, ou seja, os membros do grupo conformam-se com o ponto de vista da maioria.

4- Até que ponto conformar-se ou ser obediente pode ser benéfico?
A Obediência acontece quando as pessoas não se sentem responsáveis pelas acções que levam a cabo, sob ordens de uma figura de autoridade, consideram que esta se responsabiliza pelas consequências dos seus actos. As pessoas são influênciadas a comportarem-se de determinado modo através da aceitação de ordens que se sentem na obrigação de cumprir.

5- Poderá o inconformismo conduzir à inovação?
O Inconformismo é a adopção de concepções, atitudes e comportamentos que não respondem às expectativas do grupo. As pessoas que adoptam comportamentos comportamentos incorformistas são objecto de crítica, o que pode levar à marginalização.
Para que uma minoria influencie a maioria, é fundamental ter ideias claras, consistentes e firmes para resistirem às pressões para o conformismo. Se assim o fizerem, geralmente, estes comportamentos inovadores, acabam por ser integrados pelo sistema social.