domingo, 21 de setembro de 2008

"Freud salvou-me", recorda a última paciente viva do pai da Psicanálise

Aos 88 anos, a escultora vienense Margarethe Walter tem ainda intacta a memória do homem que lhe "salvou a vida", em 1936. Na altura ela tinha 18 anos, sofria de bronquite e, sobretudo, de um "grande mal da alma". O médico decidiu mandá- -la então ao especialista mais famoso - e polémico - da época, que tinha o consultório no 19 da Rua Berggasse, em Viena. O especialista chamava-se Sigmund Freud, e "curou-a" em 45 minutos.
Margarethe é a última paciente ainda viva do "pai da psicanálise" e acedeu agora pela primeira vez a contar publicamente a sua história ao semanário alemão Die Zeit, que a procurou e entrevistou. Uma forma original de comemorar os 150 anos do nascimento de Freud.
"Sigmund Freud foi a única pessoa que verdadeiramente me escutou", garante a escultora, que vivia subjugada por um pai autoritário. "Freud é a chave da minha vida. (...) Abriu em mim uma porta que ninguém tinha querido abrir antes", conta Margarethe ao Die Zeit, sublinhando ter "saboreado tudo" o que Freud lhe transmitiu. " Essa fonte de alimentação da alma nunca se esgotou em 70 anos. Salvou-me a vida."
Nesse ano de 1936 do século passado, Freud estava já na recta final da sua vida. Morreria três anos depois, já no exílio, em Londres, logo após o início da II Guerra Mundial.
Para trás ficava uma vida de trabalho original sobre a mente humana, que o médico de Viena foi sempre reelaborando e transformando, e que acabou por revolucionar a história do pensamento, repercutindo-se até hoje nas ciências, nas artes e na cultura.
Da linguagem comum à literatura, das manifestações artísticas às correntes filosóficas, os conceitos psicanalíticos são hoje indissociáveis da cultura ocidental, ainda que muitos dos seus agentes o rejeitem com fúria, ou o senso comum lhes deturpe o significado, ao sabor dos pequenos conflitos quotidianos.
Mas, nesse ano distante de 1936, Margarethe Walter ainda não podia saber nada disto. Sabia, isso sim, que se sentia só, "muito oprimida, fechada e certamente não amada". Vivia então com o pai, "muito autoritário", de quem era "completamente dependente".
O seu encontro com Freud, embora curto, foi libertador. Margerethe recorda "um homem muito velho, mas cheio de força". Tinha "uma pequena barba branca, um fato cinzento e estava um pouco curvado".
O relato da escultora prossegue, sempre vívido. "Olhou-me de frente nos olhos, profundamente." Depois encorajou-a a desligar-se do pai, que a acompanhava nessa consulta, e a quem ele próprio pediu na ocasião para "sair da sala". Freud disse então as palavras mágicas, segundo a sua última paciente viva: "Para se chegar a adulto é preciso atender aos desejos, alimentar a contradição, colocar a questão do 'porquê', não aceitar tudo em silêncio". A julgar pela memória que guarda desse encontro decisivo, Margarethe deve ter seguido o conselho. Mas não conta como o fez.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Estudos laboratoriais das emoções e sorrisos

Laboratório de Expressão Facial e Emoções

A Universidade Fernando Pessoa, no Porto, investiga emoções e sorrisos, produzindo estudos absolutamente inéditos. Assim, para o director do Laboratório de Expressão Facial e Emoções, Prof. Freitas Magalhães, basta olhar para o espelho ou para as pessoas com quem se cruza para obter material de trabalho. Este psicólogo dedica-se ao estudo científico das expressões faciais, área que começou a ser investigada por Darwin, no século XIX, mas que, em Portugal, tem neste Laboratório o único centro de estudos.
Neste Laboratório são dissecadas as emoções e estudada a micro-expressão a nível da expressão facial, ou seja, é verificado o movimento esquelético-muscular das emoções básicas e de toda e qualquer emoção. O seu director passa dias observando o rosto humano, uma aventura fascinante. Analisa os sorrisos e outras expressões faciais através de matrizes científicas que permitem medir a intensidade do sorriso e também detectar se são verdadeiros ou forçados.
A análise aos sorrisos é feita tendo em conta todo o rosto e não apenas a boca. “O estudo da estrutura dos sorriso já está praticamente feito. Sabemos quais são os movimentos esquelético-musculares necessário para fazer sorrir”, diz o prof. Freitas Magalhães. Nesta área, as maiores dúvidas dizem respeito ao porquê, como, quando e onde surgem os sorrisos. Os estudos já realizados permitem concluir que “as mulheres riem mais do que os homens. Identificam mais, melhor e com mais rapidez as emoções básicas. Sorriem mais em tensão do que em descontracção, porque têm a ideia que têm de ser sempre mais agradáveis”, diz o director do Laboratório de Expressão Facial e Emoções. Está também provado que as pessoas sorriem mais na idade reprodutiva, o que pode estar relacionado com o sorriso ser um mecanismo fundamental na atracção amorosa. “O sorriso é um mediador de tensões. Acaba por ser uma curva que tudo pode endireitar” considera este psicólogo.
Este especialista em emoções e expressões faciais revela também que a felicidade é um conceito cientificamente mensurável através de alguns instrumentos. “A felicidade é uma equação com muitas variáveis. Depende do contexto social, das pessoas, do sítio onde estão”. Na sua opinião, “a felicidade, mais do que uma realização prática, acaba por ser uma realização de uma ideia” e passa pelo alcançar de objectivos traçados. Por isso também é possível, ao olhar para várias fotografias, dizer quem está mais feliz.
Os instrumentos científicos pretendem também detectar a mentira: “o músculo palpebrar interior é dos poucos que exercitamos involuntariamente; por exemplo, quando estamos a mentir ou a omitir parte da verdade ele contrai-se involuntariamente”, revela o prof. Freitas Magalhães. (Artigo elaborado a partir de uma entrevista publicada em Metro de 21 de Janeiro de 2008).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Tópicos de Resposta Projecto 1 - Eu nos Contextos

Projecto 1 (Objectivo 1)
1. O que é o modelo ecológico de desenvolvimento?
2. Define contexto.
3. Em que diferentes contextos vivem os indivíduos?
4. Como se caracteriza:
a. Microssistema;
b. Mesossistema;
c. Exossistema;
d. Macrossistema;
e. Cronossistema.
5. Como se posicionam os indivíduos em cada um deles?

1. O que é o modelo ecológico de desenvolvimento?
→ Estudo científico da acomodação progressiva, mútua entre um ser humano activo, em desenvolvimento, e as propriedades mutantes dos ambientes imediatos em que a pessoa em desenvolvimento vive, conforme esse processo é afectado pelas reacções entre esses ambientes, e pelos contextos mais amplos em que esses ambientes estão inseridos (Bronfenbrenner, 1996, psicólogo russo)
→ modelo que encara o desenvolvimento humano como um processo que decorre ao longo de toda a vida a partir de interacções entre os indivíduos e os seus contextos de vida.
→ modelo em que os padrões comportamentais são estudados no meio natural da vida quotidiana dos indivíduos em cujo campo psicológico se inclui os objectos, os acontecimentos, os símbolos e as significações com os quais o sujeito interage; tenta-se assim dar uma noção integrada do sujeito (influência de Kurt Lewin com a noção de grupo como realidade social);
→ permite dar uma mais abrangente dos vários factores, pessoais ou do contexto, que influenciam a trajectória desenvolvimental de um individuo;
→ estudo científico dos ambientes, contextos saudáveis e naturais com os quais o indivíduo interage enquanto processo diferenciado;
→ distingue-se das concepções desenvolvimentais que representam o desenvolvimento como uma sucessão de etapas pré-existentes à vivência.

2. Define contexto
→ Meio situacional em que a pessoa ou organismo vive, ou ao qual está ligado e que de um modo mais ou menos directo influenciam a nossa vida;
→ contextos implicam o indivíduo e sistemas dinâmicos, modificáveis e em constante desenvolvimento;
→ meio ambiente em que o indivíduo está inserido e onde se desenrolam processos desenvolvimentais;
→ ex: família, escola, grupo de amigos sociedade recreativa, município, local de trabalho, país, continente, século…
→ pode falar-se em contextos mais imediatos, nos quais a pessoa em desenvolvimento vive, como nos mais remotos, em que a pessoa nunca esteve, mas que se relacionam e têm o poder de influenciar o curso do desenvolvimento humano

3. Em que diferentes contextos vivem os indivíduos?
→ microssistema, mesossistema, exossistema, macrossistema e cronossistema.

4. a) Microssistema
→ um padrão de actividades , papéis e relações interpessoais vivenciados pelo indivíduo num determinado ambiente peculiar de grande proximidade, em que os indivíduos participam directamente e em continuidade;
→ contextos imediatos, de grande proximidade
→ (Ex.: contextos onde as pessoas estabelecem relações face a face, como a família, a escola, o infantário, o grupo de colegas, amigos)

b) Mesossistema
→ relação que se estabelece entre componentes do microssistema, isto é, as interacções e os processos que ocorrem entre dois ou mais contextos do microssistema; (as relações que se estabelecem entre a escola e a família, por ex., fazem parte do mesossistema
→ inclui as inter-relações entre dois ou mais ambientes nos quais o indivíduo participa activamente: família, escola, vizinhança…
→ sistema de ligação entre contextos do microssistema (relações mútuas entre contextos imediatos dão-se ao nível do mesossitema…);
→ um sistema de microssistemas (por ex.:para uma criança de 10 anos, o mesossitema envolve as interacções entre a família, a escola e o grupo de amigos).

c) Exossistema
→ sistema de ligação entre contextos em que o indivíduo participa directamente apenas num deles (por ex.: a relação entre a tua família e o local de trabalho dos teus pais, i.é, participas directamente na tua família e não participas no local de trabalho dos teus pais, mas o que lá acontece influencia o teu desenvolvimento)
→ refere-se aos ambientes que não envolvem directamente a pessoa mas que a afecta indirectamente: o trabalho dos pais, o jardim de infância no qual o irmão está inserido, os amigos dos pais

d) Macrossistema
→ contexto englobante, i. é, o sistema mais alargado em termos dos contextos de vida de qualquer individuo;
→ “refere-se a consistências, na forma e conteúdo de sistemas de ordem inferior (micro, meso, exo) que existem, ou poderiam existir, ao nível da subcultura como um todo, juntamente com qualquer sistema de crença ou ideologia subjacente a essas consistências” (Bronfenbrenner, 1996);
→protótipos gerais, existentes na cultura ou subcultura, que afectam ou determinam o complexo de estruturas ou actividades ocorrentes nos níveis mais concretos;
→ relaciona-se com o sistema de valores crenças, maneiras de ser ou de fazer, estilos de vida de uma determinada sociedade, cultura ou subcultura veiculados ao nível dos subsistemas (exo, meso, microssistema).

d) cronossistema
→ incorporação no contexto de vida de uma dimensão temporal;
→ entendido como o desenvolvimento no sentido histórico, i.é, como como ocorrem as mudanças nos eventos no decorrer dos tempos, devido às pressões sofridas pela pessoa em desenvolvimento (por ex.: a diferença na maneira dos pais criarem os seus filhos, na década de 40 e na década de 80, ou na actualidade).

5.
→ influência da perspectiva fenomenológica no estudo do comportamento em desenvolvimento. O que se torna importante é a realidade, não como ela existe objectivamente, mas como ela é percebida pelo sujeitos. Um indivíduo não reage a um estímulo, mas à interpretação que faz do estímulo. Dá-se aqui maior importância aos conhecimentos e à iniciativa dos sujeitos e às forças ambientais actuantes que emanam da intercepção dos diversos contextos

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A Socialização


Como temos estudado, só poderemos compreender verdadeiramente o ser humano e o seu comportamento, tendo em conta a dimensão social (e cultural) da sua existência. Assim, temos que destacar este facto: a nossa condição de seres humanos depende de outros importantes factores, para além da herança genética e biológica.

Lucien Malson, no seu livro "As Crianças Selvagens", diz-nos o seguinte:

"Será preciso admitir que os homens não são homens fora do ambiente social, visto que aquilo que consideramos ser próprio deles, como o riso ou o sorriso, jamais ilumina o rosto das crianças isoladas."

Depois de termos visto que as nossas emoções têm um papel extremamente importante nas decisões que tomamos, estando assim ultrapassada a ideia de que razão e emoção existem separadamente; considerando, portanto, que o nosso comportamento reflecte decisões tomadas com base nas emoções que sentimos, importa também ter em atenção que as nossas próprias emoções não são independentes do contexto social em que vivemos e onde nos desenvolvemos. Quer dizer, a sociedade (e todo o nosso processo de socialização) condiciona as nossas emoções.
Este é mais um importante aspecto a considerar relativamente ao ser humano: ele possui o que podemos designar como "um cérebro social".

É esse interessante e inegável facto que nos é apresentado nesta pequena entrevista:




O Neurónio


Para o estudo do cérebro, é importante compreender diversos aspectos já estudados por nós e que o caracterizam. Por exemplo, o seu papel central no contexto do sistema nervoso. Por outro lado, sabemos que este é constituído por células que podem ser principalmente de dois tipos: neurónios e células gliais.
Os neurónios são células nervosas e responsáveis por grande parte das funções do sistema nervoso.
Os neurónios apresentam uma característica muito particular: não mantêm contactos físicos entre si. Como se processa, então, a transmissão da informação entre eles? Como já estudámos também, a sinapse e os neurotransmissores intervêm nesse processo de comunicação.
É possível rever e aprofundar o sub-tema relativo à actividade da rede neuronal, assistindo a este pequeno video que aqui fica disponível.

Como funcionam, afinal, os neurónios?




quarta-feira, 21 de novembro de 2007

TESTE FORMATIVO DO TEMA: "EU COM OS OUTROS"


Teste Formativo do Tema 2 – Eu com os Outros – Nov. 07


Grupo I

1) A vinculação é:
a. A satisfação das necessidades fisiológicas que asseguram a sobrevivência;
b. A necessidade de criar e manter relações de proximidade e afectividade;
c. O laço afectivo e psicológico desenvolvido entre os bebés;
d. A influência que o bebé exerce sobre as emoções dos progenitores.

2) Analisa as seguintes afirmações sobre o conceito de vinculação. Selecciona, depois, a alternativa correcta:
1. Desde muito cedo o bebé discrimina e hierarquiza diversas figuras de vinculação;
2. O choro sinaliza uma relação de vinculação frágil, enquanto o sorriso dá conta de vínculos consolidados;
3. Agarrar e gatinhar são comportamentos activos de vinculação;
a. 1 e 3 são falsas; 2 é verdadeira.
b. 2 e 3 são falsas; 1 é verdadeira.
c. 2 é falsa; 1 e 3 são verdadeiras.
d. 3 é falsa; 1 e 2 são verdadeiras.

3) Na base da formação das primeiras impressões está o modo como percepcionamos o outro através de:
a. Indícios físicos; indícios verbais e não verbais; indícios comportamentais;
b. Indícios físicos; comportamentais; indícios sociais; verbais e intelectuais;
c. Indícios físicos; indícios emocionais; indícios socioeconómicos; indícios verbais;
d. Indícios interpessoais; indícios comportamentais e sociais; indícios não verbais.

4) Pode definir-se uma atitude como:
a. Um comportamento mais ou menos estável para responder aos desafios sociais de modo positivo ou negativo;
b. Uma predisposição mais ou menos estável para se comportar de determinada maneira, face a um objecto social;
c. O processamento de toda a informação social relativa ao mundo social em que estamos inseridos;
d. Conjunto de comportamentos construídos ao longo da vida e que se mantêm estáveis face aos objectos sociais.

5) Analisa as afirmações que se seguem sobre representações sociais. Selecciona, depois, a alternativa correcta.
1. Conjunto de explicações, crenças e ideias partilhadas e aceites colectivamente numa determinada sociedade;
2. Conjunto de explicações, crenças e ideias indispensáveis nas relações humanas e na comunicação e compreensão social;
3. Conjunto de processos produzidos pelas instituições sociais para receber, identificar e transformar as informações e crenças;
4. Reagrupamento de ideias, de imagens, de diferenças étnicas e políticas e de concepções comportamentais.
a. 1. e 3 são verdadeiras; 2. e 4. são falsas;
b. 1. e 4 são verdadeiras; 2. e 3. são falsas;
c. 1. e 2. são verdadeiras; 3. e 4. são falsas;
d. 1. e 2. são falsas; 3. e 4. são verdadeiras.

6) A influência social manifesta-se em três grandes processos:
a. Objectivação, obediência e conformismo;
b. Normalização, conformismo e obediência;
c. Aculturação, inconformismo e obediência;
d. Normalização, conformismo e ancoragem.

7) As normas sociais permitem:
a. Induzir a variação dos comportamentos;
b. Manifestar o inconformismo dos outros;
c. Apresentar valores alternativos;
d. Prever o comportamento dos outros.

8) A obediência é um processo de influência grupal que ocorre quando o sujeito:
a. É muito pressionado pelo grupo que quer atingir um objectivo específico;
b. Acata as ordens de uma figura de autoridade, não se sentindo responsável;
c. Aceita as ordens do líder para manter a coesão do grupo;
d. Acata as ordens de uma figura de autoridade assumindo a liderança.

9) A atracção interpessoal revela-se:
a. Na preferência por pessoas que têm o mesmo interesse por nós;
b. Na preferência por determinadas pessoas com quem gostamos de estar;
c. Na avaliação cognitiva que fazemos de determinadas pessoas;
d. No comportamento sociocultural de determinadas pessoas nos grupos.


10) Os estereótipos resultam de generalizações sobre as características dos outros. Esta afirmação é:
a. Verdadeira: os estereótipos resultam de generalizações acerca do comportamento dos grupos sociais.
b. Falsa: os estereótipos organizam a identidade individual e não o comportamento dos outros.
c. Verdadeira: os estereótipos atribuem aos membros de um grupo as mesmas características comportamentais.
d. Falsa: os estereótipos resultam de diferenciações sobre as características dos outros.

11) Os preconceitos são atitudes:
a. Infundadas que provocam diferenciações sociais.
b. Justificadas pelas diferenças socioeconómicas.
c. Apoiadas por processos cognitivos fundamentados.
d. Provadas por conhecimentos científicos.

12) A discriminação é o comportamento que decorre
a. da crença.
b. do preconceito.
c. do conformismo.
d. da obediência.

13) O conformismo pode ser descrito como:
a. A mudança comportamental para satisfazer ordens;
b. Uma mudança comportamental para obedecer a outrem, satisfazendo as expectativas sociais;
c. Uma mudança comportamental mais frequente nos grupos coesos, que se traduz numa aceitação pública de normas, de atitudes e de opiniões do grupo a que se pertence, satisfazendo as expectativas deste;
d. Uma mudança comportamental necessária e de acordo com o sistema de estatutos e papéis da sociedade.



Grupo II



1. A mãe, ou quem a substitui, desempenha um papel crucial nos primeiros tempos de vida do bebé. Justifique a afirmação.
2. Refira qual a importância de que se revestem os primeiros encontros entre as pessoas.
3. Diversos investigadores contribuíram para o desenvolvimento da teoria da vinculação. Apresente as conclusões pioneiras de René Spitz.
4. Justifique quais são os factores decisivos para a conformidade.
5. Porque é que as relações interpessoais se revestem de aspectos atractivos e intimistas ou agressivos e de afastamento?



Grupo III



“Os comportamentos e atitudes intergrupais por parte dos membros de cada grupo exprimem, no fundo, os interesses objectivos, do seu próprio grupo naquela situação. Sempre que esses interesses forem divergentes, mas os grupos precisarem de estar em relação um com o outro para os atingir, ou quando os interesses forem convergentes, mas os recursos limitados, não permitindo senão que um grupo os atinja, podemos esperar que se desenhe um conflito traduzido em comportamentos e atitudes competitivas que podem atingir formas elevadas de hostilidade e até de agressão”
Vala, J., citado in Ser Humano, Porto Editora, 2006, p. 195

· Comenta o texto, mobilizando os conhecimentos que adquiriste ao longo do tema Eu e os Outros.


Bom trabalho!

INTELIGÊNCIA ANIMAL

INTELIGÊNCIA ANIMAL
Trabalho criativo de Dália Fernandes. No âmbito da disciplina de Psicologia B-12 R da Escola Secundária de Miraflores – Nov. 2007

Um dos maiores absurdos ensinados às crianças é o conceito de animal “irracional”, que reduz os animais a criaturas sem memória, sem cultura, sem capacidade de aprender. Simples bestas sem mente cujo único propósito é servir e alimentar à raça humana. Todos os anos, biólogos do mundo inteiro divulgam pesquisas que contestam a tese, e sugerem que os animais são dotados de capacidades ainda que rudimentares, de adquirir e também de transmitir conhecimento. Nem é preciso ir muito longe, qualquer um que tem um cachorro ou um gato sabe da capacidade dos animais de interpretar estímulos verbais, físicos e até mesmo "meta-físicos", como por exemplo saber com minutos de antecedência que o dono está chegando em casa. Esses comportamentos vão muito além do simples condicionamento, e são no mínimo um diferente tipo de inteligência.

Os macacos-prego são conhecidos pela sua capacidade de aprender a usar ferramentas - como pedras - para abrir cocos. Testes da capacidade intelectual dos chimpanzés mostram que eles são capazes não só de aprender palavras mas também organizá-las em frases de até quatro palavras. Polvos são capazes de memorizar caminhos em labirintos, abrir potes, quebrar garrafas de vidro para obter seu conteúdo, entre outros. A sua percepção sensorial é tão avançada que em diversos países como os EUA, é proibido realizar experiências com os moluscos sem a aplicação de anestesia.

Focas ensinam os filhotes a abrir mexilhões utilizando pedras.
Golfinhos emitem sons específicos quando encontram com seus “conhecidos”, o que sugere que eles têm a capacidade de dar e atender por nomes. Abelhas e formigas transmitem com precisão a localização de comida aos outros membros de sua colónia. Protegem com voracidade os seus pares e sabem distinguir aqueles que pertencem a outras comunidades. Porcos e vacas choram ao ir para o matadouro ou quando ouvem um de seus companheiros ser sacrificado. Os cépticos argumentam que esses comportamentos são puramente instintivos e que aquilo que os biólogos começam a chamar de inteligência e cultura animais não passam de equívocos irrelevantes insistindo numa posição inferior dos animais no planeta.
É comum associar-se o nível de inteligência de um animal ao tamanho do seu encéfalo. Partindo deste pressuposto, comparando o peso médio do encéfalo de um golfinho (1,7 kg) com o de um ser humano (1,5 kg), que ilações podem ser retiradas?
A questão do tamanho do encéfalo tem levantado alguma controvérsia. O encéfalo dos golfinhos é assombroso, pesando tanto ou mais do que o encéfalo humano, ao qual se assemelha pelos seus sulcos e circunvoluções abundantes. Contudo, muitos cientistas defendem que esta questão não deve ser tratada de uma forma linear, já que se olharmos para a proporção entre massa encefálica e massa corporal, outros números aparecem: 1,17% para os golfinhos e 2,10% para os seres humanos. Isto quererá dizer que estes cetáceos não serão tão inteligentes como os seres humanos, pois as suas grandes dimensões corporais traduzem-se na necessidade de uma massa encefálica maior.
Segundo dados actuais, a massa colossal do encéfalo dos golfinhos estará ligada a mecanismos adaptativos extremamente complexos, sobretudo relativos ao aparelho de identificação e eco-localização. Com efeito, emitindo impulsos ultrasónicos que embatem em objectos (peixes, outros golfinhos ou qualquer obstáculo) e captando os sons devolvidos, o golfinho é capaz de interpretar estes ecos como se de imagens se tratassem, determinando o tipo de objectos e a que distância se encontram.
Relativamente ao cerebelo (área do encéfalo responsável pela coordenação e equilíbrio), ele encontra-se mais desenvolvido nos golfinhos do que no Homem. Todavia, este facto não é de estranhar se observarmos o espantoso controlo dos movimentos corporais destes mamíferos marinhos durante as suas complexas manobras de salto e de "natação sincronizada".
Uma das áreas que mais investigação tem suscitado é a da comunicação neste grupo de cetáceos, pois a capacidade de utilização de uma linguagem é uma das principais componentes da inteligência. No entanto, ainda está longe o momento, se é que algum dia ele chegará, de decifrar o complexo esquema de assobios, cliks e gemidos que os golfinhos utilizam para comunicarem entre si. Mas na verdade, a maior parte das espécies animais são capazes de comunicar, de uma ou outra forma, utilizando linguagens mais ou menos complexas.
Embora não existam ainda muitas certezas, os intensos trabalhos de investigação desenvolvidos ao longo dos últimos anos confirmam aquilo de que há muito se suspeitava: os golfinhos são realmente animais extremamente inteligentes, ocupando uma das posições mais elevadas na escala animal de inteligência.

Fontes
http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=2032&iLingua=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia